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Querido Avô

“ Avô que ficou” Hoje volto a pensar em ti, não apenas com saudade, mas com aquela lucidez que o tempo traz , a que nos permite ver para além das memórias doces e perceber as sombras que também fizeram parte da tua história. Cresci ao teu lado sem entender metade do que se passava à minha volta. Era criança, e como todas as crianças, só queria que chegassem os dias festivos para sentir aquele barulho de família reunida. Só mais tarde percebi que tu esperavas o mesmo, talvez até mais do que eu. Esperavas que os filhos e os netos viessem até ti, não por obrigação, mas por reconhecimento. Por gratidão, por respeito. E os que vinham eram sempre os mesmos... os outros nunca vinham! Hoje entendo melhor o peso disso. Tu e a avó, essa mulher dura, de quem só conheço histórias, trabalharam duramente. Construíram um pequeno império à força de sacrifício, suor e teimosia. Eram gente da velha guarda, moldada pela necessidade, pela dureza da vida, pela ideia de que o amor se prova com trabalho e nã...
Chuva Na vidraça escorre a chuva lenta, desliza silenciosa, em tom de melancolia.  Olho a paisagem cinzenta e sinto o peso da memória da infância. As gotas, como lágrimas perdidas, desenham na vidraça histórias que escaparam, são reflexos de vidas partidas, de sonhos que aos poucos se evaporam. O som tranquilo da chuva retorna-me ao passado, e o silêncio fala mais do que a razão. Cada gota traz um eco guardado, de um tempo gravado no coração. E eu, presa a este quadro molhado, mergulho na saudade que me abraça. Quem dera voltar ao instante dourado, que a chuva, agora em silêncio, refaz. Originais 2025
Desvanecer da inocência! Na matilha da comunidade, a essência desvanece, os valores transmitidos tornam-se ecos distantes, e a inocência, outrora límpida e pura, esvai-se entre sombras de máscaras.  O amor pelo próximo envergonha-se, diante do espelho da hipocrisia. As crenças antigas transformam-se em ilusões, erguidas sobre frágeis pilares de mentira. A realidade, fria e despida, rasga o véu das lições de outrora. Tudo é relativo, tudo é teatro, e a vida, um palco onde somos marionetas do acaso. Deplorável, sim, este conto repetido, de fingimentos e promessas vazias. Será que há quem ouse quebrar as correntes e sonhar com o mundo que ainda pode existir? O riginais 2025
Sentimentos A dor é sombra que a alma abraça. Silenciosa, vem, invade o peito, moldando o coração, sem pedir permissão. Instala-se, corrói a vontade, tira a direção! Um desespero. O tempo pára, os olhos deixam de brilhar! Mas a dor não se vê, é como o vento, só se faz sentir. As lágrimas são a bênção que desanuvia, depois delas, Com sorte, nasce a resistência, e a alma, mesmo ferida, insiste em continuar.
  Meu amor pequenino Meu anjo de quatro patas, guardiã das tardes serenas, com olhos que falam de amor, ficas sempre ao meu lado, como um abraço silencioso na doçura do teu ronronar, ou no teu sono profundo envolta nas tuas patinhas de veludo. Tão pura, tão doce como uma criança! O toque sedoso do teu pelo é paz que desce à alma, leva embora a solidão e em cada gesto teu, vejo o amor mais simples, mais verdadeiro! És um oceano de ternura, mestra do silêncio que acalma, e no brilho sincero do teu olhar encontro serenidade, um refúgio que não se perde, onde me encontro. Minha gatinha arisca, tão livre! mais que amiga, és um pedaço de felicidade, doce companhia que embala os meus dias, consolo nas horas vazias, calor nos meus medos. És paz onde o mundo parece gritar, és luz onde a escuridão tenta calar. E se um dia te fores? O vazio dentro do peito será eterno, e a saudade, uma sombra que não me abandonará. No silêncio, haverá um grito que nunca se ouvirá. Originais 2025
 Reflexo Distante. Na busca por Deus, carrego o nada nas mãos, invento palavras fugazes no desejo profundo de alcançar algo que transcenda o vazio. Deus, reflexo distante.. No silêncio, escuto um sussurro, um nome que reconheço, uma resposta à dúvida. Se é Deus, voa longe, desfaz-se nas asas da dúvida, é um eco sem peso, um vazio que murmura. E assim parte, como quem nunca chegou.
 Folhas Secas.. A folha tomba em silêncio, numa dança serena, traz no corpo o peso dos dias. Já foi verde, já foi abrigo, hoje é um sopro do que foi vivido. Cai como nós, sem aviso, sem tempo, desprendida do ontem, entregue ao nada. Flutua um instante, dança ao relento, até que o chão lhe fecha a estrada. Tal como a vida: Já foi promessa, já foi vontade, agora é sombra na claridade, um grito mudo na madrugada. Assim é a fragilidade da existência, breve como a dança da folha ao vento. Sei Lá  (Originais 2025)
O Eco da solidão  Estar, ficar. Será uma opção ou uma necessidade? Opção não é, disso tenho plena consciência. Se sou hipócrita e o nego? Sim, sou, e tenho de ser! Ah, se o meu horizonte fosse claro e a luz do futuro brilhasse intensa, se tivesse o desafogo que me permitisse seguir em frente, não olharia para trás! Iria, como a gaivota que voa nos céus em busca de liberdade! Onde estou por cruel necessidade, há muitas coisas, mas falta o mais precioso: falta amor, falta sentimento, falta vida! Aqui há uma amor cego às coisas, uma indiferença gélida às pessoas, aos seres vivos, à essência da existência. Aqui não há calor, não há vontade de mostrar sentimentos. Este lugar é dominado pelo frio das vaidades, onde sorrisos são máscaras e risos são ecos de um tempo esquecido, carregando o peso de uma existência vazia, onde o amor é um luxo e a esperança, uma estrela distante. A cada passo sinto a ausência de vida verdadeira, a falta de um abraço sincero, a carência de um olhar cúm...
Entre Luzes e Trevas: A Dança da Vida Nada se destaca, não há admiração, apenas descaso, somos navegantes perdidos, em mares de solidão, entre ficar e partir, não há direção. Na dança da vida, entre morrer e sobreviver, encontra-se o vazio na dor de não ser. E assim seguimos... Vivemos na sombra procurando a luz, cada passo é um desafio, uma cruz. Quem te disser que isto é fácil mentiu! Quantas pedras no caminho que ninguém viu! Diz-me: no tropeçar aprende-se a levantar e na tempestade a descoberta do nosso lugar? Diz-me! Será que as estrelas estão lá para brilhar..? Se eu fugir e for para onde o vento me levar, sem medo, sem erros, sem louros, sem nada! Irei para além do sol, irei para não regressar! …..Aqui não houve um abraço conforto, um aconchego, um lar! Entre luzes e trevas há um destino a cumprir, nos becos da existência, nas sombras da história, no escuro dos dias esconde-se a vontade de viver! A vida, um baile de ilusões. Cumprindo a sina, sigo! ... Nem sempre há ...
  Biografia... Caminho num mundo despedaçado, aprendi a sobreviver neste inferno, mas será isto vida? Ah, não. A vida é a jornada de um coração que se atreve a sonhar, amar e encontrar esperança onde menos se espera. ... Eu nunca fui assim... E então? Como encontrar essa esperança? Provavelmente, na força que há em mim quando penso que não posso continuar. Quando me sinto nua de emoções, vivendo uma vida sem propósito, passando os dias, proibindo os sonhos porque já não vou a tempo. … .Não vou a tempo... E não me digas que vou, porque o tempo passou, a juventude já se foi, e por mais que digam que enquanto há vida tudo é possível... não é verdade! Cada estação é diferente e, se na natureza tudo regressa, na vida só seguimos em frente e não há volta. Deixei passar todas as estações floridas, resta-me o inverno com a sua beleza fria, com uma alma turva e a esperança limitada. ...Assim sou eu... Sei Lá!  (Originais 2024)
  Bondade, talvez! Ser bom na calmaria é doce, é gentil, mas ser bom na tempestade? isso é ser louco! Que o mal não nos defina, nem roube a nossa paz, mas neste mundo de insensatos, a bondade desmorona-se! É fácil ser bom no conforto, quando a vida não nos cega e a injustiça não se encara! Nos corredores da existência, onde a corrupção reina, ser bom é resistência que nem sempre perdura! Se Lá! (Originais-2024)
  O medo ... A solidão acompanhada é cruel, um lembrete de que o vínculo não depende apenas da presença física, mas de um laço mais profundo, aquele que parece escapar pelos dedos como a areia fina de uma praia deserta. Sinto a indiferença do mundo ao redor, um cenário, onde me perco, a atenção dissipa-se! É um eco de vozes perdidas, a fria realidade de que a atenção sincera é uma utopia. Tenho medo de mim mesma, não é só insegurança passageira, mas o medo profundo de encarar minha fragilidade, de aceitar que sou fortaleza e campo de batalha. Procuro valor na fragilidade , a força na aceitação e coragem a cada passo, porque é no confronto com esses sentimentos que me descubro e encontro a razão de existir. Não são os aplausos ou a sua ausência que me definem, mas a capacidade de encontrar luz nas frestas da minha escuridão. Sei Lá! (Originais - 2024)
Desliza o tempo Desliza o tempo, invertido, desejo sentir o chão e recomeçar, ecoa um chamamento. Na realidade, busco encontrar-me. Solto a tristeza, deixo-a voar, e abraço a vida! Sentindo o chão que começo a trilhar, em ritmo de esperança, a paz anuncia-se, em cada passo, um novo rumo aberto. Solto a tristeza, deixo-a voar...   Sei Lá  (Originais 2024)
  Máscara.. Comecei por ser máscara que se mirava no espelho, hoje desnudo o rosto. Olho-me de frente, sem disfarce., a minha fragilidade agora é minha única base, sem a qual, talvez, já não pudesse existir. Peguei nos meus receios e transformei-os em palavras, essas palavras que agora se entrelaçam, cada verso é um pedaço da minha alma em confissão. Desnuda estou, sem fantasias, ou adereços que ocultem o que verdadeiramente sou. Aceito a fragilidade que antes era temor, encaro os meus medos e neles encontro valor.    Não temo os olhares que possam surgir, cada cicatriz é uma história, e cada história partilho sem dor, porque a dor, essa, transformou-se em aprendizagem, em crescimento.  Abro o peito e deixo sair as palavras, cada uma delas um pouco de luz que ilumina a escuridão. Ao ser tocada por essa luz, a escuridão deixa de ser assustadora e torna-se parte da minha jornada.   Sei là!  (Originais 2024)
Dia de Todos os Santos No palco da vida, máscaras brilham, posturas falsas, verdades que se escondem, hipocrisia. Dança silenciosa, num teatro de almas, num teatro de vidas. Entre risos e orações, a verdade se vela, num cenário de fingimento, onde tudo se revela. A alma verdadeira, em silêncio persiste, num mundo de ilusões, onde a sinceridade resiste. Sei Lá! (Originais) 2024  
O   que fazer de uma vida triste? A vida, esse teatro constante, escreveu-me um guião sombrio e não cede ao meu pedido... tão simples na essência, ser feliz! A tristeza teima como uma sombra incômoda que se aloja  na alma, anulando cada raio de esperança e a felicidade, tão simples, parece uma miragem no deserto da existência. Talvez a felicidade esteja em aceitar o caos do mundo! Mas como navegar estas águas turbulentas, onde o desejo e a realidade raramente se encontram. Sei Lá! (originais) 2024
     Reis de Barro A verdade da mentira dos mascarados com capas de civilidade brilha no cubículo local. Reis dos disfarçados, celebrados como sábios. A verdadeira essência, escondida na escuridão, sufoca os de valor e eleva os falsos sábios. Na terra da mediocridade, perpetuam seus hábeis rabos. Mas fora da toca, as máscaras caem ao chão e a verdade revela-se. Mesmo assim, encontrarão comparsas que os levem ao colo, porque são tantos... E a ignorância é tão perigosa! Os grandes, silenciados, lutam na marginalidade, enquanto a ignorância caminha, vestida de vaidade. Sei Lá (Originais) 2024
  Tranquilidade A manhã cheira a terra, os pássaros cantam, as folhas brincam no chão coreografando danças suaves, o vento sussurra segredos que eu nem suspeito....A chuva mansa acompanha o espetáculo. Eu, ali, espetadora atenta e silenciosa. Neste mundo de luzes do amanhecer, onde cada detalhe se transforma em poesia, onde os sonhos esquecidos ganham vida, aqui, encontro paz, um refúgio onde a alma voa livremente!  Sei Lá  (Originais 2024)
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Liberdade! Estava escrito no chão do tempo, seria guiada para o sol da vida, não haveria raiz que me prende-se, nem escuridão que me apague-se a chama! A liberdade chamava por mim, as rédeas soltavam-se desordenadas e eu partia, livre como um potro na imensidão da savana. Naquele mar de ervas singelas, sentia o vento como um amigo, brandando segredos e esperanças. Cada passo adiante era uma despedida ao que ficou para trás, e um olá ao desconhecido. O sol, testemunha silenciosa, pintava o céu com cores que a alma ainda não tinha sonhado. A cada novo horizonte, a liberdade tornava-se mais real, uma chama vibrante que me alentava. As estrelas surgiam cúmplices da minha caminhada, e a lua, como uma antiga amiga, iluminava o meu caminho. Não havia volta, apenas um constante avançar, descobrindo que a verdadeira essência da vida estava naquele momento de pura liberdade! Sei Lá (originais) 2024
  Notas de Outono   Outono, a estação das metamorfoses, as folhas dançam ao vento, tingindo os caminhos com uma paleta dourada e rubra. É um desfile silencioso de despedidas, onde cada folha que cai conta a história de um ciclo concluído, de um último suspiro antes do repouso. O ar fresco carrega consigo o perfume das folhas caídas e da terra molhada, os dias tornam-se curtos, como se o tempo hesitasse em avançar, querendo prolongar os momentos de luz e calor que ainda restam. As folhas dançam ao vento, desenhando coreografias no ar, antes de se deitarem suavemente no chão. A natureza, sábia em seu ciclo, lembra-nos da beleza efêmera das coisas. No Outono, encontramos uma beleza serena e profunda, que nos ensina a valorizar cada momento e a abraçar as mudanças com a mesma delicadeza com que a natureza o faz.   Sei Lá (originais) 2024
  Alma! "Perder -se de si mesmo é quando se perde a alma .." Alguém sábio disse isto! Deixar de acreditar no que sempre acreditou, defender as suas causas, perder-se do que era e deixou de ser...por descrença ou porque se baralhou no caminho. Já não saber se as suas verdades e certezas, ainda são! Nem tudo se explica, nem tudo as palavras descrevem ou há solução... não, nem tudo! Um olhar, um gesto, os sonhos, um pensamento..bocados de felicidade.. Coisas  que a alma entende ! e se a perdes... Sei Lá !- Originais  2011
  Há Tanto Tempo Há tanto tempo! Hoje, as palavras que saíram não foram aquelas que habitam na alma, mas foram as necessárias.  Um encontro inesperado, por mero acaso! O teu olhar estava triste, sem sombras, mas a tristeza era evidente! Quase um olhar pesado. Disfarçavas a tristeza numa desculpa de cansaço, numa vida sedentária e repetida, mas nesse rosto estava um coração quebrado. Hesitaste, querias falar, mas fechaste-te. Arriscaste uma pergunta que não saiu sem mágoa. – Então, e tu? Está tudo bem contigo? A minha resposta teve a mesma hipocrisia da tua: – Tal como dizes, vamos andando... Mas sim, está tudo bem. É teu filho? – perguntei, apontando para o menino que seguravas pela mão. – Sim. – É bonito. Então, como te chamas? – perguntei ao menino. Obtive a devida resposta e comentei que o meu rebento já era bem mais velho. – O tempo passa, pois passa! – repetiste, uma vez mais, a pergunta. As respostas foram as mesmas... Hesitaste mais uma vez. Nada ali conseguia esconder ...
  Tenho tanto medo por ti meu amor! Tenho tanto medo por ti, temo que a felicidade plena te escape, que a vida não te sorria! Temo as mágoas que te possam causar, as maldades que te possam tocar! Minha menina de olhos como o céu, brilhando infinitamente! Não é meu hábito chamar-te amor, mas não há palavra que melhor defina o que és para mim! Dói-me não te ver plena, nesta ansiedade constante de amar e ser amada. Dói-me ver-te magoada. Tenho tanto medo por ti, meu amor! Lembro-me da tua desilusão no teu primeiro amor, quando acompanhava cada lágrima que caía dos teus olhos e sentia a tua dor como se fosse minha, misturada com a tua força enorme de não vacilar nas provas difíceis que se aproximavam. Vi a tua resiliência crescer, a força que encontraste dentro de ti. Ver-te ultrapassar essa desilusão foi uma mistura agridoce de dor e orgulho. Ainda confiavas em mim para amparar as tuas lágrimas , se calhar não estive à altura.... Agora escondes cada desilusão, ...
  Asfixia!   Tenho pressa em voltar a adormecer, só assim paro de me torturar, de aguardar um brilho de presença... Obrigo-me a admitir que minto a mim mesma.. Interrogo-me se através dos meus olhos vejo o mesmo que tu vês!   Encaro o meu próprio reflexo. O rosto não esconde a noite mal dormida. Recuso-me a ser reduzida ao silêncio do esquecimento. Não consigo aperceber-me da dimensão do silêncio, só sinto o seu peso, a minha respiração não se altera, não sai um suspiro ou um respirar fundo... não consigo! Permanece uma sensação de asfixia.   A minha mão fica fria...   Durante o dia ausculto a minha mente.... o que permanece?.. Devo ficar em silêncio para sempre, aceitar o que é real...Viver a vida sem sonho? Não sei se consigo! Enrosco-me como uma bola, abraçando-me a mim mesma... e assim fico   Sei lá (originais) 2009  
  Sem Rumo Ao longo do eterno caminho da morte, visões estranhas, medos absurdos. Sem tempo, sem rumo... Estou... vou... e não sei se chego ou fico... cumpro o destino...Sem luz ou sombra, sem rumo, abstrato... Um lugar vazio de tudo. Será a morte? Ou a visão do meu mundo? Aqui estou! Ainda viva, sem luz, sem sombra, sem rumo......   Sei lá (originais) 2008