Chuva

Na vidraça escorre a chuva lenta, desliza silenciosa, em tom de melancolia. 

Olho a paisagem cinzenta e sinto o peso da memória da infância.

As gotas, como lágrimas perdidas, desenham na vidraça histórias que escaparam, são reflexos de vidas partidas, de sonhos que aos poucos se evaporam.

O som tranquilo da chuva retorna-me ao passado, e o silêncio fala mais do que a razão. Cada gota traz um eco guardado, de um tempo gravado no coração. E eu, presa a este quadro molhado, mergulho na saudade que me abraça.


Quem dera voltar ao instante dourado, que a chuva, agora em silêncio, refaz.

Originais 2025


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