Há Tanto Tempo
Há tanto tempo! Hoje, as palavras que saíram não foram aquelas que habitam na alma, mas foram as necessárias.
Um encontro inesperado, por mero acaso! O teu olhar estava triste, sem sombras, mas a tristeza era evidente! Quase um olhar pesado. Disfarçavas a tristeza numa desculpa de cansaço, numa vida sedentária e repetida, mas nesse rosto estava um coração quebrado. Hesitaste, querias falar, mas fechaste-te. Arriscaste uma pergunta que não saiu sem mágoa.
– Então, e tu? Está tudo bem contigo?
A minha resposta teve a mesma hipocrisia da tua:
– Tal como dizes, vamos andando... Mas sim, está tudo bem. É teu filho? – perguntei, apontando para o menino que seguravas pela mão.
– Sim.
– É bonito. Então, como te chamas? – perguntei ao menino. Obtive a devida resposta e comentei que o meu rebento já era bem mais velho.
– O tempo passa, pois passa! – repetiste, uma vez mais, a pergunta.
As respostas foram as mesmas... Hesitaste mais uma vez. Nada ali conseguia esconder a tristeza nos olhares. Não podia incentivar o assunto, não podia porque um sentimento magoado deve ficar no sítio certo, lá atrás! No entanto, devia falar, mas também acho que não devia.
Lá fomos cada um para o seu lado, cada um para o seu presente e um peso enorme na alma! Vi de novo uma grande solidão no teu olhar! Queria dizer o quanto lamento ter-te magoado pelo simples facto de eu existir.
Tenho muitas coisas que gostava de te dizer, principalmente o quanto avalio o teu sentimento, porque hoje, tenho sobretudo, desilusão dentro de mim.
Sei Lá! Originais
2011
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