Não me ensinaram!
Não
me ensinaram a viver sem luz. Disseram-me sempre que o amanhã é
esperança, que há sempre uma porta que se abre. Ninguém me ensinou
a não sorrir. Disseram-me que o sorriso é um sinal de vida, que
ilumina o semblante mais sombrio, que descerra a porta mais trancada.
Não me avisaram que a solidão dói, apenas que passava... Não me disseram que ficava um vazio incontornável. Disseram apenas que passava... Não... Pode atenuar ou acalmar, como as memórias fechadas a sete chaves, num baú, para não serem sentidas, lembradas... Mas, quando se abre, voltam todas as sensações que se quiseram trancar.
Não me ensinaram que a vida é um monte de sonhos que não se vivem... Não me disseram que a alma sente mais que o cérebro... e que chora... Afinal, ninguém me ensinou a viver.
(2005-Originais)
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